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Síndromes disabsortivas e seus sintomas

Wednesday, September 27, 2023
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Síndromes disabsortivas e seus sintomas

O que são síndromes disabsortivas?

As “síndromes disabsortivas” se caracterizam por serem um grupo de condições médicas em que há uma absorção inadequada de nutrientes no trato gastrointestinal. Isso significa que o sistema digestivo não é capaz de absorver adequadamente um ou mais nutrientes dos alimentos que uma pessoa consome.

Essas síndromes podem afetar a absorção de macronutrientes, como proteínas, carboidratos ou gorduras, e/ou de micronutrientes, como vitaminas ou sais minerais, provocando excreção fecal excessiva, deficiências nutricionais e sintomas gastrointestinais.

Quais são as causas das síndromes disabsortivas?

As síndromes disabsortivas podem ser causadas por uma variedade de condições médicas que afetam a estrutura e/ou a função do trato gastrointestinal. Algumas das causas mais comuns incluem: doença celíaca, síndrome do intestino curto, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, pancreatite crônica, deficiências enzimáticas congênitas e parasitoses.

Leia sobre "O processo normal da digestão humana", "Probióticos e Prebióticos" e "Intolerâncias alimentares".

Qual é o substrato fisiopatológico das síndromes disabsortivas?

A fisiopatologia das síndromes disabsortivas pode variar, dependendo da sua causa subjacente. Confira a seguir as fisiopatologias de algumas das síndromes disabsortivas mais comuns.

Síndrome do intestino curto

A síndrome do intestino curto deve-se a um encurtamento do intestino delgado, quando uma parte significativa dele é removida cirurgicamente devido à doença de Crohn, isquemia intestinal ou cirurgia bariátrica, por exemplo. O intestino delgado é responsável pela absorção de muitos nutrientes e a remoção de uma parte considerável desse órgão pode levar à má absorção de nutrientes essenciais. Isso ocorre porque a área de superfície disponível para a absorção é reduzida.

Doença celíaca

A doença celíaca é uma condição autoimune que danifica as vilosidades do intestino delgado, que são responsáveis por absorver nutrientes. Isso envolve uma resposta imunológica exagerada ao glúten, causando inflamação e danos nas vilosidades, resultando em má absorção de nutrientes como ferro, cálcio e vitaminas lipossolúveis. 

Síndrome do intestino irritável

Embora a fisiopatologia da síndrome do intestino irritável ainda não seja completamente compreendida, acredita-se que fatores como motilidade intestinal alterada, sensibilidade visceral aumentada e disfunção na comunicação entre o intestino e o cérebro possam contribuir para os sintomas.

Síndrome de má absorção bacteriana

A síndrome de má absorção bacteriana ocorre quando há um crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, resultando em competição pela absorção de nutrientes, visto que as bactérias também podem consumir nutrientes diretamente, interferindo na absorção normal.

Intolerância à lactose

Deficiência de lactase é a incapacidade de digerir adequadamente a lactose, que é o açúcar encontrado no leite e seus derivados. Isso ocorre devido à ausência da enzima lactase, responsável pela quebra da lactose em componentes mais simples. Sem a lactase, a lactose não digerida passa para o intestino grosso, onde pode causar sintomas de má absorção, como diarreia, dor abdominal e inchaço.

Pancreatite crônica

pancreatite crônica pode envolver cálculos, calcificações ou cicatrizes que bloqueiem o ducto que transporta enzimas digestivas e sucos para o trato gastrointestinal, impedido a passagem das enzimas e hormônios pancreáticos, tornando mais difícil a digestão dos alimentos e a consequente absorção deles.

Doença de Crohn

A doença de Crohn, uma inflamação crônica das paredes intestinais, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal e causar problemas de má absorção.

Deficiências enzimáticas congênitas

Algumas pessoas nascem com deficiências genéticas em enzimas que são essenciais para a digestão adequada, o que resulta em problemas de absorção.

Parasitoses

Algumas infecções parasitárias podem prejudicar a absorção de nutrientes devido aos danos ao revestimento intestinal.

Quais são as características clínicas das síndromes disabsortivas?

As manifestações clínicas das síndromes disabsortivas podem variar desde ausência de sintomas até diarreia crônica e desnutrição. Embora os sintomas tenham especificidades para cada uma delas e possam variar muito, quase todas exibem diarreia crônica, perda de peso, flatulência, fadiga, deficiências nutricionais e problemas de crescimento em crianças.

Como o médico diagnostica as síndromes disabsortivas?

A partir dos sintomas característicos de um distúrbio disabsortivo, pode-se realizar alguns exames complementares para selar o diagnóstico:

  • hemograma, mostrando anemia;
  • dosagem de vitaminas e eletrólitos;
  • autoanticorpos para doença celíaca;
  • avaliação fecal, que pode evidenciar perda de gordura e outros elementos nas fezes;
  • exames das substâncias exaladas na respiração;
  • endoscopia para visualização do esôfago, estômago e duodeno;
  • ileocolonoscopia para visualização do reto, cólon e íleo terminal;
  • tomografia computadorizada de abdome para avaliação do paciente com pancreatite crônica, que pode causar distúrbio disabsortivo por insuficiência pancreática exócrina;
  • teste de absorção de D-xilose;
  • teste de Schilling para avaliação da má absorção de vitamina B12.

Como o médico trata as síndromes disabsortivas?

O tratamento correto das síndromes disabsortivas depende da causa subjacente da condição. Geralmente ele visa abordar tanto a causa subjacente quanto os sintomas associados à má absorção. Algumas abordagens comuns incluem:

  • dieta e suplementação alimentar, evitando alimentos que causem sintomas;
  • enzimas digestivas, em casos de má absorção causada por deficiências enzimáticas;
  • tratamento sintomático, para aliviar os sintomas associados, como diarreia, dor abdominal e distensão abdominal;
  • monitorar a eficácia do tratamento e fazer ajustes conforme necessário;
  • e, em casos graves, terapia nutricional enteral (por meio de tubo de alimentação) ou parenteral (intravenosa).

Como evoluem as síndromes disabsortivas?

Na maioria dos casos, com o diagnóstico feito, os tratamentos conseguem controlar a doença de base e estabilizar as carências nutricionais, mesmo que seja através da reposição dos nutrientes mal absorvidos por via “parenteral”, ou seja, através de via endovenosa ou intramuscular.

Em casos em que a causa da má absorção não seja passível de cura, o paciente dependerá de um acompanhamento médico constante, que pode precisar ser hospitalar, para realização de nutrição parenteral contínua.

Como prevenir as síndromes disabsortivas?

Nas alterações onde a má absorção é causada por má digestão, como é o caso da intolerância à lactose, por exemplo, evitar a substância ou usar enzimas digestivas artificiais é a melhor prevenção. No caso da Doença Celíaca, a prevenção é a exclusão do glúten da dieta pelo resto da vida. Nos casos de pancreatite por abuso de álcool, o paciente deve manter-se abstêmio do uso de bebida alcoólica como prevenção de novos episódios de inflamação do pâncreas.

Leia sobre "Dor abdominal", "Constipação intestinal" e "FODMAP: o que é isso?"

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Biblioteca Virtual em Saúde

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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