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Tipos de alterações das fezes

Friday, May 29, 2020
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Tipos de alterações das fezes

O que são fezes normais?

Em situações normais, as fezes devem ter uma consistência mole, mas capazes de manter sua forma de tubo ligeiramente alongado, semelhante a uma salsicha, por exemplo, que não causem dor ou dificuldade ao evacuar. Além disso, devem ser de cor marrom e pastosa, com odores peculiares, variáveis para cada pessoa.

As evacuações normais devem conter apenas fezes com essas características. As diversas alterações desses aspectos normais, quando associados aos sintomas concomitantes, sugerem determinadas patologias e são uma indicação importante no sentido diagnóstico. Em situações anormais, elas podem estar associadas a muco, sangue, gordura ou pus.

Leia sobre "Entendendo a encoprese", "Esteatorreia" e "Incontinência fecal".

Quais são os tipos de alterações possíveis das fezes?

As alterações nas fezes podem ser apuradas quanto a: frequência, forma, consistência, cor, odor, presença de substâncias orgânicas e presença de substâncias estranhas.

1. Frequência

O número de evacuações consideradas normais oscila entre três vezes ao dia a três vezes por semana, e varia de acordo com a idade e os hábitos de cada pessoa. O importante é que haja uma regularidade, estabelecendo um padrão constante para cada um. Um aumento, sobretudo exagerado, desse padrão individual denomina-se diarreia e uma diminuição dele é chamada constipação intestinal (“intestino preso”). As diarreias, além do aumento do número de evacuações, são caracterizadas pelo aumento de volume e diminuição da consistência das fezes. Na constipação intestinal as fezes são ressequidas e difíceis de serem eliminadas. 

  • A diarreia em si não é uma doença, mas sim uma síndrome clínica podendo ter diversas etiologias. A diarreia aguda caracteriza-se pela presença de três ou mais evacuações de consistência aquosa em um período de 24 horas. A diarreia se define como crônica por ser persistente, com duração acima de 30 dias. Em se tratando de casos de diarreia crônica pode-se classificá-la ainda em relação à consistência das fezes: aquosa, inflamatória ou gordurosa. 
  • A constipação intestinal é definida pela presença de pelo menos dois dos seguintes sintomas: esforço para evacuar; sensação de esvaziamento incompleto do intestino; manobras manuais para facilitar as evacuações (manobras digitais, apoio pélvico ou vaginal) e sensação de obstrução ou bloqueio anorretal. Estima-se que a constipação intestinal tenha uma prevalência de até 26,9% na população brasileira, com maior frequência em mulheres acima dos 60 anos, em sedentários e em pessoas de baixo nível sócio econômico e cultural. A constipação intestinal tem uma clara relação com a redução da qualidade de vida.

2. Forma das fezes

As fezes podem assumir diferentes formas: (1) pequenas bolinhas, similares às fezes de carneiros; (2) em “tubos” semelhantes a salsichas, lisa e suave, grumosas ou com ranhuras na sua superfície; (3) pedaços moles, com margens bem definidas, facilmente evacuadas; (4) pedaços fofos, aerados, com margens irregulares, esfarrapadas, geralmente flutuantes; e (5) completamente líquidas.

3. Consistência das fezes

As fezes alteradas podem variar de extremamente endurecidas a inteiramente liquefeitas, passando pela consistência pastosa normal e semilíquidas. Fezes anormalmente endurecidas ocorrem nas constipações intestinais e se devem a uma maior absorção de água, devido à maior demora do trânsito intestinal. Fezes liquefeitas são próprias das diarreias e ocorrem em situações de má absorção, síndrome do intestino irritável, gastroenterites ou estresse.

4. Cor das fezes

A cor das fezes normais é um castanho amarronzado, podendo variar de um escuro intenso (“cor de borra de café”) a uma descoloração que as torna pálidas, passando por uma coloração escura mais leve. O primeiro caso ocorre em sangramentos digestivos altos e a cor das fezes é determinada pela digestão do sangue (melena). As fezes empalidecidas podem dever seu clareamento, por exemplo, à ausência de bile nos sucos digestivos, em razão de obstrução dos ductos biliares. Fezes escurecidas, sem, contudo, chegarem a “borras de café”, podem dever-se a sangramentos mais baixos no trato intestinal.

5. Odor

As fezes normais têm odor característico, embora variável para cada indivíduo. Elas podem se tornar excessivamente malcheirosas em casos de infecções intestinais, especialmente se associadas à diarreia.

6. Presença de substâncias orgânicas

As fezes podem vir misturadas a muco, sangue, pus e/ou gordura. Essas condições denunciam inflamações, infecções ou tumores intestinais. A presença de substâncias orgânicas pode conferir às fezes diversas consistências e formas. Chama-se disenteria à diarreia sanguinolenta, com sangue visível e muco, e apresentação de febre. Deve ser feita uma adequada avaliação da sua magnitude, principalmente no que se refere ao estado de hidratação do paciente e à presença de febre, vômito e/ou sangue ou muco nas fezes. Fezes amarelas e de aspecto gorduroso (esteatorreia) ocorrem na pancreatite crônica. A presença de sangue rútilo sugere a presença de tumor intestinal baixo.

7. Presença de substâncias estranhas

Objetos ou partículas não digeríveis que tenham sido deglutidos podem reaparecer nas fezes em sua forma original. Isso frequentemente acontece com sementes ou com pequenos objetos não digeríveis, como plástico, metal, etc. Nas diarreias, alimentos que normalmente são digeríveis, podem reaparecer no seu estado original, devido à maior velocidade do trânsito digestivo. A própria água presente na diarreia é uma consequência da insuficiente absorção dela, seja em virtude da maior velocidade do trânsito intestinal ou de inflamações das mucosas intestinais.

Vejam também sobre "Sangue nas fezes", "Fecaloma" e "Melena e Hematêmese".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Sociedade Brasileira de Proctologia e da World Gastroenterology Organisation.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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