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Trombose venosa cerebral

Thursday, May 27, 2021
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Trombose venosa cerebral

O que é trombose venosa cerebral?

Trombose venosa cerebral, ou trombose do seio venoso cerebral, é a presença de um coágulo de sangue nos vasos ou seios venosos durais (que drenam sangue do cérebro), ou em ambos. Isso impede que o sangue seja drenado do cérebro e, como resultado, as veias podem se romper e vazar sangue para os tecidos cerebrais, criando uma hemorragia cerebral.

Quais são as causas da trombose venosa cerebral?

A trombose venosa cerebral representa apenas 1% dos acidentes vasculares cerebrais e é causada pela oclusão dos seios venosos e/ou das veias cerebrais por trombos. Os coágulos capazes de constituir uma trombose se formam devido a um desequilíbrio entre a formação da fibrina, proteína insolúvel do sangue, e a fibrinólise, mecanismo de dissolução dos coágulos.

Os três principais mecanismos para tal desequilíbrio são (1) alterações no fluxo sanguíneo normal, (2) lesão na parede do vaso sanguíneo e (3) hipercoagulabilidade, devido a alterações na constituição do sangue. Essa última condição responde pela maioria dos casos de trombose do seio venoso cerebral.

A trombose venosa cerebral ocorre em adultos jovens, principalmente mulheres, e é mais comum em pessoas com:

Além disso, o risco de trombose cerebral também é maior em mulheres que tomam pílula anticoncepcional ou em pacientes com diabetes não tratado e histórico familiar de doenças cardíacas ou acidente vascular cerebral.
Leia sobre "Composição e funções do sangue", "Coagulação sanguínea" e "Coagulação intravascular disseminada".

Qual é o substrato fisiológico da trombose venosa cerebral?

As veias do sistema venoso superficial ou sistema venoso profundo do cérebro desaguam nos seios venosos durais, que levam o sangue de volta para a veia jugular e daí para o coração. Na trombose venosa cerebral, os coágulos sanguíneos se formam nas veias do cérebro e nos seios venosos. A trombose das próprias veias causa infarto venoso, ou seja, lesão do tecido cerebral devido a uma irrigação sanguínea congestionada e, portanto, insuficiente. Isso resulta em edema cerebral e leva a pequenas hemorragias que se apresentam em forma de “pequenos pontinhos” que medem de 1 a 2 milímetros, chamados “petéquias”, e que podem se fundir em grandes hematomas.

Quais são as características clínicas da trombose venosa cerebral?

A trombose venosa cerebral pode ter diversas manifestações clínicas, dependendo da localização do trombo, as quais podem afetar adultos jovens, mulheres em idade reprodutiva e crianças. As manifestações clínicas mais comuns são:

  • cefaleia
  • convulsões
  • sintomas visuais
  • alteração da consciência
  • coma
  • sinais neurológicos como fraqueza do rosto e membros de um lado do corpo e perda de controle sobre o movimento em parte do corpo
A trombose venosa cerebral pode se manifestar como um sintoma único ou pode se apresentar como uma síndrome consistente em vários sintomas. É possível que o coágulo se separe e migre para os pulmões, causando uma embolia pulmonar. Isso ocorre em cerca de 10% dos casos e tem um prognóstico muito ruim.

Como o médico diagnostica a trombose venosa cerebral?

O quadro clínico um tanto inespecífico dificulta o diagnóstico de trombose venosa cerebral. O diagnóstico pode ser suspeitado com base nos sintomas ou quando outros diagnósticos alternativos puderem ser excluídos com segurança, podendo ser confirmado por meio de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, ambas usando vários tipos de contraste para realizar um venograma, visualizar as veias ao redor do cérebro e demonstrar a obstrução dos seios venosos.

A ressonância magnética tem ainda a vantagem de poder detectar danos ao próprio cérebro como resultado do aumento da pressão nas veias obstruídas. Após a confirmação da trombose, o diagnóstico deve concentrar-se em determinar a causa subjacente.

Há uma associação entre o exame de sangue de dímero-D (um dos produtos da degradação de fibrina) e a trombose do seio venoso cerebral, mas essa associação sozinha não é suficiente para confirmar ou descartar o diagnóstico.

Como o médico trata a trombose venosa cerebral?

O tratamento é feito com anticoagulantes na maioria dos casos. Alguns especialistas, no entanto, desencorajam o uso de anticoagulação se houver riscos de hemorragias. Se, ao contrário, houver um distúrbio grave de trombose subjacente, pode ser necessário continuar o tratamento com anticoagulantes indefinidamente.

Raramente, é usada a trombólise (destruição por medicamentos aplicados diretamente sobre o coágulo sanguíneo). Em geral, ela só é recomendada em pessoas em que o estado deteriora apesar do tratamento adequado. A doença pode ser complicada pelo aumento da pressão intracraniana, o que pode justificar uma intervenção cirúrgica, como a colocação de um shunt (desvio) circulatório.

Naquelas pessoas em que um infarto venoso ou hemorragia causa compressão significativa das estruturas cerebrais circundantes, às vezes é necessário fazer uma craniotomia descompressiva.

A pressão intracraniana elevada, se há grave alteração da visão, pode exigir punção lombar terapêutica.

Em certas situações, os anticonvulsivantes podem ser usados para tentar prevenir convulsões.

Como evolui a trombose venosa cerebral?

Embora a taxa de mortalidade da trombose venosa cerebral tenha sido muito reduzida ultimamente, por melhorias no tratamento e nas técnicas de diagnóstico, a taxa de mortalidade permanece alta e os sobreviventes apresentam vários graus de sintomas residuais que fazem com que não consigam regressar às atividades anteriores. Um estudo de 2004 mostrou que 57,1% das pessoas tiveram recuperação completa, 8,3% morreram e as restantes tiveram sintomas ou deficiências que variaram de leves a graves. A taxa de recorrência foi baixa, de apenas 2,8%. Em crianças, o risco de morte é mais alto.

Veja também sobre "Anticoagulantes: prós e contras", "Hemorragias" e "Eventos trombóticos na Covid-19".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NIH – National Institutes of Health (USA), da Johns Hopkins Medicine e do Hospital Anchieta – Brasília.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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