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Álcool e saúde: 9 prejuízos que o consumo pode causar ao organismo

Há 4 dias
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Álcool e saúde: 9 prejuízos que o consumo pode causar ao organismo

O consumo de bebidas alcoólicas é uma prática social amplamente difundida em diversas culturas e sociedades. Embora os padrões de consumo variem amplamente, o álcool não é uma substância isenta de riscos: mesmo quantidades relativamente pequenas podem aumentar a probabilidade de alguns problemas de saúde, enquanto o consumo excessivo, frequente ou prolongado eleva substancialmente o risco de danos.

O álcool é uma substância psicoativa que afeta praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo humano. Seus efeitos podem variar desde alterações temporárias do comportamento e da coordenação motora até transtorno por uso de álcool e doenças graves, incapacitantes ou potencialmente fatais, incluindo lesões neurológicas, hepáticas, cardiovasculares e digestivas, alterações imunológicas e metabólicas e aumento do risco de diversos tipos de câncer. Além disso, seu consumo está relacionado a acidentes, violência e outras consequências sociais e comportamentais.

A prevenção dos danos relacionados ao álcool depende da conscientização sobre seus riscos, da adoção de hábitos de vida saudáveis e da busca de assistência profissional diante de um padrão de consumo de risco, dificuldade para reduzir ou interromper o uso ou sinais de dependência. De modo geral, quanto menor o consumo, menor o risco; para algumas pessoas e situações, a recomendação é não consumir álcool. A redução ou interrupção do consumo pode proporcionar benefícios importantes à saúde e diminuir o risco de diversas doenças e complicações relacionadas ao álcool.

O que é o “álcool”?

O álcool presente nas bebidas alcoólicas é o etanol, uma substância produzida principalmente pela fermentação de açúcares realizada por microrganismos. Após ser ingerido, o etanol é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, sobretudo no intestino delgado e, em menor proporção, no estômago, alcançando a corrente sanguínea e distribuindo-se por todo o organismo. Como atravessa facilmente a barreira hematoencefálica, o álcool exerce efeitos diretos sobre o sistema nervoso central.

O fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do álcool, processo realizado principalmente pelas enzimas álcool desidrogenase e aldeído desidrogenase. O etanol é inicialmente convertido em acetaldeído, composto tóxico e carcinogênico, e posteriormente em acetato. Como a velocidade de metabolização é limitada, o consumo de grandes quantidades em pouco tempo favorece o aumento da concentração de álcool no sangue e a intoxicação.

O consumo crônico também desencadeia alterações metabólicas, inflamatórias e oxidativas que contribuem para lesões em diferentes órgãos.

Quais são os principais efeitos prejudiciais do álcool sobre o organismo humano?

Continue lendo depois do infográfico para saber os detalhes sobre cada efeito no organismo.

Infográfico - Prejuízos Álcool

1. Quais alterações o álcool pode causar no cérebro e no sistema nervoso?

O cérebro é um dos órgãos mais afetados pelo álcool. Inicialmente, o consumo pode provocar sensação de relaxamento, diminuição da ansiedade e desinibição social. Contudo, à medida que a concentração sanguínea aumenta, surgem prejuízos na coordenação motora, no equilíbrio, nos reflexos, na memória, na atenção, no tempo de reação e na capacidade de julgamento.

O consumo excessivo em curto período pode levar à intoxicação alcoólica aguda, caracterizada por confusão mental, vômitos, sonolência intensa, fala arrastada, dificuldade para caminhar, redução do nível de consciência e, em casos graves, comprometimento respiratório, aspiração de vômito, coma e morte por depressão do sistema nervoso central.

O uso crônico e intenso está associado a alterações estruturais e funcionais do cérebro, comprometimento cognitivo, dificuldades de aprendizado e alterações de memória. Deficiências nutricionais, especialmente de tiamina (vitamina B1), podem causar complicações neurológicas graves, como encefalopatia de Wernicke e síndrome de Korsakoff. O consumo problemático também pode estar associado ou agravar transtornos mentais, como depressão e ansiedade, além de aumentar o risco de comportamento suicida.

A dependência alcoólica, termo tradicionalmente chamado de alcoolismo, atualmente é compreendida dentro do transtorno por uso de álcool, uma condição caracterizada por um padrão problemático de consumo que causa sofrimento ou prejuízo significativo. Pode envolver dificuldade para controlar a quantidade ingerida, desejo intenso de beber, tolerância, abandono de atividades importantes e sintomas de abstinência após redução ou interrupção do consumo.

2. Quais alterações o álcool pode causar no fígado?

O fígado é particularmente vulnerável aos efeitos tóxicos do álcool. A doença hepática associada ao álcool abrange diferentes manifestações que podem coexistir e apresentar graus variados de gravidade. Uma das alterações iniciais mais frequentes é a esteatose hepática associada ao álcool, popularmente conhecida como gordura no fígado. Nessa fase, ocorre acúmulo de gordura nas células hepáticas. Embora possa regredir com a interrupção do consumo, a continuidade da exposição favorece inflamação, fibrose e progressão da doença hepática.

Uma forma mais grave é a hepatite associada ao álcool, caracterizada por inflamação e lesão hepatocelular (fibrose), que pode ocorrer especialmente em pessoas com consumo intenso e prolongado. Os sintomas podem incluir fadiga, perda de apetite, dor abdominal, náuseas e icterícia, além de febre e, nos quadros graves, insuficiência hepática.

Com a progressão da fibrose, pode ocorrer cirrose, na qual a arquitetura normal do fígado é substituída por fibrose extensa e nódulos regenerativos, comprometendo progressivamente sua função. A cirrose pode resultar em insuficiência hepática; hemorragias digestivas por hipertensão portal e varizes gastroesofágicas; ascite (acúmulo de líquido no abdome); encefalopatia hepática; maior risco de carcinoma hepatocelular; e aumento significativo do risco de morte.

3. Quais são os efeitos do álcool sobre o coração e os vasos sanguíneos?

Embora durante muitos anos tenha sido difundida a ideia de que pequenas quantidades de álcool poderiam trazer benefícios cardiovasculares, as evidências atuais não justificam recomendar o início do consumo de bebidas alcoólicas com a finalidade de proteger o coração. Estudos observacionais que sugeriam benefício, especialmente com o vinho, podem ter sido influenciados por diferenças de estilo de vida e outros fatores entre consumidores e não consumidores.

O uso excessivo de álcool está associado ao aumento da pressão arterial, favorecendo o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica. Também pode provocar arritmias cardíacas, especialmente fibrilação atrial, além de enfraquecimento do músculo cardíaco, condição denominada cardiomiopatia alcoólica.

O consumo elevado também está associado a maior risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e outras complicações cardiovasculares. Além disso, episódios de consumo intenso em curto período podem desencadear arritmias mesmo em pessoas sem doença cardíaca conhecida.

Portanto, não é recomendado começar a beber, nem aumentar o consumo, buscando supostos benefícios cardiovasculares.

4. Quais danos o álcool pode causar ao sistema digestivo?

O álcool exerce ação irritante e pode alterar a função de diferentes segmentos do trato gastrointestinal. No estômago, pode causar inflamação da mucosa, gastrite e sintomas como queimação, náuseas, vômitos e desconforto abdominal, além de poder agravar sintomas de refluxo gastroesofágico.

Embora o álcool possa lesar a mucosa digestiva, não é considerado isoladamente uma das principais causas de úlcera péptica, que está mais frequentemente relacionada à infecção por Helicobacter pylori e ao uso de anti-inflamatórios não esteroides.

O pâncreas é outro órgão frequentemente afetado. O consumo excessivo de álcool constitui importante fator de risco para pancreatite aguda e pancreatite crônica. Essas doenças podem provocar dor abdominal intensa e alterações digestivas e, particularmente na pancreatite crônica, evoluir para má digestão e má absorção dos alimentos, insuficiência pancreática exócrina e diabetes mellitus.

Além disso, o consumo crônico e excessivo de álcool pode interferir na ingestão, digestão, absorção, armazenamento e utilização de nutrientes essenciais, contribuindo para deficiências vitamínicas e desnutrição, especialmente de vitaminas do complexo B, incluindo a tiamina, além de folato e outros micronutrientes.

5. Como o álcool afeta o sistema imunológico?

O consumo crônico e excessivo de álcool prejudica diferentes mecanismos da imunidade inata e adaptativa, tornando o indivíduo mais suscetível a determinadas infecções. Pessoas que consomem álcool em excesso apresentam maior risco de infecções respiratórias, incluindo pneumonia, além de tuberculose e outras complicações infecciosas, especialmente quando coexistem desnutrição, doença hepática ou outras condições clínicas.

O consumo elevado também pode comprometer mecanismos de defesa das vias respiratórias, alterar a microbiota intestinal e prejudicar a cicatrização e a resposta do organismo a infecções.

6. Qual é a relação entre álcool e câncer?

O álcool é classificado como carcinógeno para seres humanos e constitui um importante fator de risco para diversos tipos de câncer. Durante sua metabolização, forma-se o acetaldeído, uma substância carcinogênica capaz de causar danos ao DNA e interferir em mecanismos de reparo celular. Outros mecanismos, como estresse oxidativo, alterações hormonais e prejuízo da absorção de nutrientes envolvidos na manutenção do DNA, também podem participar da carcinogênese.

O consumo alcoólico aumenta o risco de câncer da cavidade oral, faringe, laringe, esôfago, fígado, cólon e reto e de mama em mulheres. O risco torna-se ainda maior para alguns tumores (particularmente os da boca, faringe, laringe e esôfago) quando o álcool está associado ao tabagismo, devido à interação entre essas exposições.

Em geral, quanto maior a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo, maior o risco de câncer. Entretanto, para algumas neoplasias, especialmente o câncer de mama, o aumento do risco já pode ser observado com níveis relativamente baixos de consumo.

7. Quais são as consequências metabólicas e hormonais do consumo de álcool?

O álcool interfere em diversos processos metabólicos. Seu consumo frequente pode contribuir para o ganho de peso, pois o etanol fornece aproximadamente 7 kcal por grama e muitas bebidas contêm ainda açúcares e outros componentes calóricos. Entretanto, a relação entre álcool e peso corporal varia conforme a quantidade ingerida, o padrão de consumo, a alimentação e outros fatores individuais.

O álcool também pode alterar o metabolismo dos lipídios, favorecendo hipertrigliceridemia, além de contribuir para esteatose hepática e alterações da glicemia. Em pessoas com diabetes, o álcool pode tanto elevar a glicose, dependendo da bebida e da alimentação associada, quanto favorecer hipoglicemia, sobretudo quando consumido em jejum ou em conjunto com determinados medicamentos.

No sistema endócrino e reprodutivo, o consumo crônico e intenso pode reduzir a produção de testosterona nos homens, causando diminuição da libido, disfunção erétil, infertilidade e perda de massa muscular. Nas mulheres, pode provocar alterações menstruais e da ovulação, além de dificuldades reprodutivas.

O consumo excessivo também pode interferir no metabolismo ósseo e, em longo prazo, contribuir para redução da massa óssea e maior risco de fraturas.

8. Quais são os efeitos do álcool durante a gestação?

O consumo de álcool durante a gravidez representa risco para o desenvolvimento embrionário e fetal. Não existe quantidade, período da gestação ou tipo de bebida alcoólica comprovadamente seguros durante a gravidez; por isso, a recomendação é evitar completamente o consumo.

O etanol atravessa facilmente a placenta e alcança o feto, cujo organismo possui capacidade limitada para metabolizar a substância. A exposição fetal ao álcool está associada a maior risco de aborto espontâneo, natimortalidade, parto prematuro, restrição do crescimento fetal e baixo peso ao nascer, além de alterações permanentes do neurodesenvolvimento.

As consequências da exposição pré-natal são reunidas sob o termo transtornos do espectro alcoólico fetal (TEAF), que engloba diferentes manifestações físicas, cognitivas, comportamentais e do desenvolvimento. A síndrome alcoólica fetal é uma das apresentações mais graves desse espectro e pode incluir alterações características do crescimento e da face, além de comprometimento do sistema nervoso central.

Como o cérebro fetal se desenvolve durante toda a gestação, a exposição ao álcool pode produzir efeitos em diferentes fases da gravidez. Mulheres que consumiram álcool antes de saber que estavam grávidas devem interromper o consumo assim que possível e conversar com o profissional responsável pelo pré-natal, sem presumir que necessariamente haverá dano fetal.

9. Quais são os impactos sociais e comportamentais relacionados ao álcool?

Além dos danos físicos, o álcool produz importantes consequências sociais e aumenta o risco de lesões e mortes por causas externas. O comprometimento do julgamento, da coordenação e dos reflexos aumenta significativamente o risco de acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, afogamentos, quedas e outras situações traumáticas. Também pode favorecer comportamentos de risco, relações sexuais desprotegidas e situações de violência interpessoal.

O consumo problemático também está associado a conflitos familiares, violência doméstica, dificuldades profissionais, problemas financeiros e isolamento social. Esses efeitos podem atingir não apenas a pessoa que consome álcool, mas também familiares, parceiros, crianças e outras pessoas da comunidade.

Além disso, o álcool pode causar dependência e sintomas de abstinência. Em pessoas com dependência física, a interrupção abrupta do consumo pode provocar tremores, sudorese, ansiedade, náuseas, insônia, taquicardia e aumento da pressão arterial; nos casos graves, podem ocorrer convulsões, alucinações e delirium tremens. Por isso, pessoas que bebem grandes quantidades diariamente ou apresentam histórico de abstinência grave não devem necessariamente interromper o consumo por conta própria, sem avaliação médica.

Existe uma quantidade segura de álcool?

Não existe um nível de consumo completamente isento de riscos para todos os desfechos de saúde. Isso não significa que uma pequena quantidade ocasional produza o mesmo risco que o consumo intenso: de modo geral, os riscos aumentam conforme crescem a quantidade, a frequência e a duração do consumo. Assim, quanto menos álcool uma pessoa consumir, menor tende a ser o risco relacionado à bebida.

Algumas pessoas devem evitar completamente o álcool, como gestantes ou mulheres que possam estar grávidas, menores de idade, pessoas que irão dirigir ou operar máquinas, indivíduos que utilizam medicamentos incompatíveis com bebidas alcoólicas e pessoas com determinadas doenças ou histórico de transtorno por uso de álcool.

Também é importante evitar episódios de consumo intenso em curto período, frequentemente chamados de binge drinking, pois eles aumentam significativamente o risco de intoxicação, acidentes, violência, arritmias, pancreatite e outras complicações agudas.

Quando o consumo de álcool deve ser motivo de preocupação?

O consumo merece atenção quando a pessoa:

  • bebe mais ou por mais tempo do que pretendia;
  • tenta reduzir sem conseguir;
  • sente forte desejo de beber;
  • precisa de quantidades progressivamente maiores para obter o mesmo efeito;
  • apresenta sintomas de abstinência;
  • ou continua bebendo apesar de problemas familiares, profissionais, sociais ou de saúde relacionados ao álcool.

Esses sinais podem indicar transtorno por uso de álcool e justificam avaliação profissional.

O tratamento pode envolver intervenções psicossociais, acompanhamento médico e, em casos selecionados, medicamentos destinados a reduzir o consumo, prevenir recaídas ou auxiliar na manutenção da abstinência. A estratégia deve ser individualizada de acordo com a gravidade do transtorno, as condições clínicas associadas e os objetivos definidos em conjunto com o paciente.

Reduzir o consumo já pode trazer benefícios, mas, para pessoas com transtorno por uso de álcool, doenças agravadas pela bebida ou outras contraindicações, a abstinência pode ser a opção mais segura. Reconhecer precocemente um padrão problemático de consumo permite intervir antes que ocorram complicações mais graves e pode melhorar significativamente a saúde e a qualidade de vida.

Leia sobre "Como manter mais baixo o risco do consumo de bebidas alcoólicas", "Cirrose hepática" e "Carcinoma hepatocelular".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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