Medicina ortomolecular

O que é a medicina ortomolecular?
A medicina ortomolecular é uma prática de medicina alternativa que visa manter a saúde humana através da suplementação nutricional. O conceito baseia-se na ideia de um ambiente nutricional ideal no corpo e sugere que as doenças refletem deficiências nesse ambiente.
Ela também recomenda o uso de quantidades de biomoléculas acima dos limites definidos pela medicina tradicional. No entanto, segundo muitas instituições médicas, exceder os limites de tolerância de substâncias no corpo pode trazer efeitos adversos tanto a curto quanto a longo prazo.
O termo ortomolecular deriva do inglês “orthomolecular”, criado pelo químico americano Linus Pauling, em 1968, a partir da combinação da palavra grega “ortho” (= correto ou certo) com a palavra em inglês “molecule” (molécula). Assim, ortomolecular significa, literalmente, molécula correta. Linus Pauling (1901-1994) foi Prêmio Nobel de química em 1954 por suas descobertas na área de ligações químicas e seu uso na elucidação da estrutura molecular.
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Um pouco da história da medicina ortomolecular
Foi no início do século XX que se descobriu que, além de carboidratos, gorduras e proteínas, o organismo também precisava de outras substâncias para o seu bom funcionamento, como vitaminas e sais minerais. Muito antes, milhares de soldados, marinheiros e presos tiveram que morrer de beribéri ou adoecer de escorbuto até que se descobrisse que a causa da doença era a deficiência de vitamina B1 e vitamina C, respectivamente. Graças a essas descobertas, ambas as doenças foram quase totalmente erradicadas por uma simples mudança na alimentação.
No início dos anos 1940, Linus Pauling foi diagnosticado com uma doença renal e seu médico o recomendou uma dieta livre de sal e com suplemento de vitaminas. Pauling ficou curioso com a recomendação e passou a fazer pesquisas de cunho próprio. Nos anos a seguir, ele apresentou diversas palestras, debatendo hipóteses de que as deficiências ou excessos de compostos químicos poderiam ser causas de problemas neurológicos.
Na década de 1960, Pauling recomendou tomar certas substâncias em doses altas. Em 1968, publicou um artigo na revista Science nomeado “Psiquiatria ortomolecular”, cunhando pela primeira vez o termo, defendendo a ideia de que alguns distúrbios psiquiátricos poderiam ser devidos a deficiências de certos nutrientes.
Embora suas recomendações não sejam mais necessárias hoje em dia (apenas em casos raros), por terem sido incorporadas à dietoterapia e à medicina corrente, muitos dos princípios ortomoleculares que ele criou continuam válidos.
Por que a medicina ortomolecular?
Essa prática tem suas raízes quando, nos anos de 1950, uma série de psiquiatras criou a terapia mega vitamínica, que consistia na aplicação de dosagens massivas de vitamina B3 em pacientes psiquiátricos. Com o tempo, a terapia foi ampliada e passou a usar outras vitaminas, minerais, hormônios e dietas, combinados com medicamentos e eletroconvulsoterapia (eletrochoque).
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) considera que a chamada medicina ortomolecular não é uma especialidade médica nem uma área específica de atuação médica, e proíbe todas as práticas ortomoleculares que não tenham comprovação científica, como os tratamentos antienvelhecimento, por exemplo. Todavia, permite as terapias com base científica, desde que sejam indicadas por um médico e apenas após serem tratadas todas as doenças de base concomitantes (resolução 2.004 de 2012).
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Como a medicina ortomolecular supõe ajudar à saúde?
A Medicina Ortomolecular em si não é uma forma de tratamento, mas um recurso coadjuvante indispensável a muitos tratamentos, além de ser um meio preventivo que ajuda o organismo a se manter sadio. Ela busca suplementar em quantidades adequadas certos compostos específicos que julga serem necessários para restaurar um meio fisiológico saudável do organismo.
Assim, além de ter uma atuação terapêutica, a medicina ortomolecular visa manter a saúde e o bem-estar do organismo, prevenindo a manifestação de doenças e de outras condições clínicas. Procura fazer isso através da ingestão de nutrientes específicos, que pode ser realizada principalmente a partir de duas abordagens:
- Uma reeducação alimentar, evitando alimentos industrializados e dando preferência para o consumo de alimentos naturais e que contribuam para a promoção da saúde do organismo.
- Envolvendo a suplementação em doses adequadas de substâncias consideradas naturais ao organismo humano, ou seja, substâncias que estão presentes fisiologicamente no corpo, como vitaminas, aminoácidos e sais minerais.
Ambas as práticas são realizadas avaliando-se as necessidades individuais de cada paciente por meio da análise de aspectos clínicos e bioquímicos do indivíduo.
O tratamento ortomolecular é feito através da ingestão de substâncias essenciais que favorecem a recuperação natural do organismo, reduzindo processos associados ao desenvolvimento de doenças como, principalmente, o estresse oxidativo. As principais medicações e nutrientes usados nesse sentido são:
- a vitamina C;
- a vitamina E;
- as vitaminas do complexo B;
- o betacaroteno (ou provitamina A);
- a quercetina;
- e a coenzima Q10.
Além de auxiliar na prevenção de doenças associadas ao envelhecimento do organismo, a Medicina Ortomolecular pugna, ainda, pelo tratamento adjuvante de condições agudas e crônicas como, por exemplo, obesidade, doenças cardiovasculares, infecções virais, distúrbios psiquiátricos e diferentes tipos de câncer.
Entre outras vantagens, ela ajuda na desintoxicação do organismo e no equilíbrio de substâncias essenciais, tornando possível que ocorra:
- um rendimento metabólico maior;
- mais vitalidade das células;
- redução no tempo de recuperação de doenças;
- melhoria nos tratamentos de doenças respiratórias;
- fortalecimento do sistema imunológico;
- diminuição da utilização de medicações;
- e auxílio nos processos de emagrecimento.
No que se refere à alimentação, as principais recomendações de medicina ortomolecular podem ser assim resumidas:
- priorizar frutas ricas em antioxidantes, como morango, limão, acerola e mirtilo;
- consumir hortaliças e legumes, como brócolis, pimentão, cenoura, tomate e cebola;
- priorizar cereais integrais em relação aos processados, como arroz integral, pão integral e aveia;
- consumir alimentos ricos em ômega 3, como sardinha, linhaça e salmão;
- evitar frituras, como batatas fritas, salgadinhos e empanados;
- evitar refrigerantes, sucos industrializados e bebidas alcoólicas;
- evitar a carne vermelha, como porco, carne bovina e cordeiro;
- e evitar embutidos, como presunto, salsicha, salame, mortadela e peito de peru.
Além disso, é recomendado também beber bastante água, já que ajuda a desintoxicar o organismo, removendo o excesso de líquidos e impurezas do organismo através da urina. Tudo isso faz parte do que hoje se costuma considerar como “alimentação saudável”.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Foundation for Alternative and Integrative Medicine e do NIH – National Institutes of Health.
