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Rafinose - em quais alimentos ela pode ser encontrada? Quais seus efeitos no organismo?

Friday, August 16, 2019
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Rafinose - em quais alimentos ela pode ser encontrada? Quais seus efeitos no organismo?

O que é rafinose?

A rafinose é um açucar trissacarídeo (C18H32O16), branco e cristalino, composto de galactose, frutose e glicose, que pode ser encontrado no feijão, repolho, couve, couve de Bruxelas, brócolis, aspargos, uvas, soja e outras plantas. A rafinose é ligeiramente doce, possuindo apenas 20% da intensidade adoçante da sacarose.

Saiba mais sobre "Frutose" e "Glicose".

Qual é o mecanismo de atuação da rafinose no corpo humano?

A rafinose pode ser hidrolisada em sacarose e galactose pela enzima α-galactosidase. Como os humanos não possuem essa enzima no intestino delgado para quebrar o trissacarídeo, ele passa sem ser digerido e no intestino grosso alimenta bactérias da flora intestinal que realizam sua decomposição. Esse metabolismo produz gás carbônico e metano (O2 e CH4) e causa flatulência, estufamento do abdome, plenitude, dor abdominal e arrotos. Devido à sua decomposição mais difícil, a rafinose é por vezes utilizada em alimentos para reduzir calorias em dietas de emagrecimento.

A família rafinose de oligossacarídeos (um grupo de açúcares trissacarídicos não redutores e solúveis como, por exemplo, rafinose, stachilose, verbascose e ajugose) está quase que onipresente no reino vegetal, sendo encontrada em uma grande variedade de sementes diferentes, ficando em segundo lugar em abundância de carboidratos solúveis apenas em relação à sacarose.

Em algumas famílias de plantas, o amido armazenado também é substituído por oligossacarídeos como a rafinose. Tecnicamente, a sacarina da beterraba produz uma rafinose anticongelante, que se adiciona aos líquidos para reduzir o ponto de solidificação deles, conseguindo desta forma que a mistura resultante se congele a uma temperatura mais baixa. Isto é usado para evitar o congelamento e para a criopreservação de preparações médicas. As sementes de leguminosas (ervilhas, feijões, lentilhas, etc.), depois de secas, contêm de 5 a 15% de rafinose. Durante a produção de açúcar de beterraba, grandes quantidades de rafinose se acumulam no melaço, que pode ser usado para produzir alguns tipos de açúcares.

Quais são os efeitos da rafinose no organismo humano?

A estimulação adequada da pele produzida pela rafinose é considerada essencial para melhorar a função da barreira epidérmica e, assim, manter uma homeostase saudável da pele. A epiderme é uma barreira mecânica e de permeabilidade essencial entre o meio externo e o meio interno da pele. Além dessas, os oligossacarídeos bioativos exibem várias outras atividades biológicas: influenciar as propriedades de retenção de água do estrato córneo, efeito anti-inflamatório, funções reguladoras do sebo e ação antibacteriana. Atuam ainda como cosméticos, com função hidratante da pele seca.

O feijão, um dos alimentos mais populares entre os brasileiros, é uma leguminosa rica em rafinose e estaquiose, um trissacarídeo e um tetrassacarídeo, respectivamente; além de ser também fonte de aminoácidos essenciais. O motivo do feijão causar flatulência é exatamente que esses dois oligossacarídeos, ao chegarem ao intestino grosso, são utilizados como alimento por bactérias intestinais que realizam fermentação e produzem gases. Esta fermentação pode ser amenizada pelo consumo de feijão azuki, que possui menor quantidade de rafinose, ou deixando o feijão de molho na geladeira por uma noite.

Algumas especiarias como sálvia, alecrim, tomilho e funcho podem ajudar a digerir a rafinose e devem ser consumidos em conjunto para amenizar os sintomas gastrointestinais da substância.

Leia também sobre "Carboidratos", "Frutas mais consumidas", "Dicas para melhorar a alimentação" e "Intolerância à lactose".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte do site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, em parte, do site da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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