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Vitamina B12: da bioquímica à prática clínica

segunda-feira, 30 de junho de 2025
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Vitamina B12: da bioquímica à prática clínica

O que é vitamina B12?

A vitamina B12, também conhecida como cobalamina, é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B que desempenha papel fundamental no metabolismo dos aminoácidos, síntese de DNA, eritropoiese (formação dos glóbulos vermelhos do sangue) e manutenção da função neurológica.

A cianocobalamina é uma forma sintética da vitamina B12, amplamente utilizada em suplementos e medicamentos, e não é encontrada na natureza. Após sua ingestão, é convertida no organismo em formas ativas, como a metilcobalamina e a adenosilcobalamina.

A metilcobalamina, por sua vez, é uma forma natural da vitamina B12, presente em alimentos de origem animal e disponível também como suplemento.

Embora alguns estudos indiquem que a cianocobalamina apresenta absorção ligeiramente superior, outros sugerem que a metilcobalamina é mais bem retida, pois é menos excretada pela urina. Ainda assim, ambas são eficazes no tratamento da deficiência da vitamina.

Onde encontrar a vitamina B12?

 A vitamina B12 é encontrada exclusivamente em alimentos de origem animal, tais como carnes (bovina, suína e de frango), fígado bovino, peixes (como salmão, atum e sardinha), frutos do mar (como mariscos e ostras), além de laticínios (leite, queijos - especialmente os maturados - e iogurtes) e ovos (principalmente a gema).

Dietas vegetarianas estritas e veganas não fornecem quantidades adequadas da vitamina, o que torna necessária a suplementação ou o consumo de alimentos fortificados, como cereais matinais e bebidas vegetais (ex: leite de soja) enriquecidos com vitamina B12.

Leia sobre "Beribéri", "Escorbuto", "Anemia perniciosa" e "Anemia megaloblástica".

Quais são as ações da vitamina B12 no organismo?

  1. Formação e maturação dos glóbulos vermelhos (hemácias), prevenindo a anemia megaloblástica.
  2. Manutenção da integridade neurológica, atuando na formação da bainha de mielina.
  3. Síntese de DNA e RNA, fundamentais para replicação e reparo celular, especialmente em tecidos de alta renovação, como sangue e mucosas.
  4. Participação em reações metabólicas essenciais, incluindo a conversão de homocisteína em metionina - cuja elevação está associada a risco cardiovascular.
  5. Função neurológica e produção de neurotransmissores (como serotonina e dopamina), com impacto no humor, sono e comportamento.

Em resumo, a vitamina B12 é essencial para a hematopoiese, função neurológica, metabolismo energético e equilíbrio neuropsíquico.

Quais são as consequências da deficiência e do excesso da vitamina B12?

A deficiência de vitamina B12 é relativamente comum, especialmente em idosos, devido à diminuição da acidez gástrica e menor produção de fator intrínseco, necessário para sua absorção. Estudos indicam prevalência de até 20% em indivíduos acima de 60 anos. Entretanto, a deficiência também pode acometer gestantes, lactantes, vegetarianos, pacientes em uso prolongado de metformina ou inibidores de bomba de prótons e pessoas com doenças gastrintestinais (como gastrite atrófica ou doença celíaca).

Entre os principais sintomas e sinais da deficiência de B12, destacam-se:

  • Fadiga e fraqueza (por anemia megaloblástica)
  • Palidez ou icterícia discreta
  • Cefaleia e enxaqueca - estudos apontam associação entre baixos níveis de B12 e cefaleia crônica
  • Depressão e alterações do humor
  • Hiper-homocisteinemia, associada a risco cardiovascular e disfunção endotelial
  • Sintomas gastrointestinais, como diarreia, náuseas, constipação, distensão e flatulência
  • Déficits cognitivos e de concentração
  • Glossite e estomatite
  • Parestesias e sensação de queimação em extremidades (neuropatia periférica)
  • Redução da função motora e sensorial, com risco de ataxia e distúrbios de equilíbrio
  • Disfunção erétil em homens, possivelmente associada à elevação de homocisteína
  • Distúrbios visuais, por neuropatia óptica

Além disso, pacientes diabéticos em uso de metformina estão em maior risco de deficiência, sendo recomendada a monitorização periódica.

Por outro lado, a toxicidade por excesso de vitamina B12 é rara, dado que se trata de uma vitamina hidrossolúvel, com excreção urinária eficiente. No entanto, o uso abusivo de altas doses parenterais ou orais pode causar:

Como diagnosticar a deficiência e o excesso de vitamina B12?

O diagnóstico da vitamina B12 é feito através de exames de sangue simples. O principal exame mede a vitamina B12 sérica, mas às vezes são necessários testes complementares para ter um diagnóstico mais preciso.

1. Exames principais:

  • Vitamina B12 no sangue
    • Valores normais: acima de 300 pg/mL
    • Deficiência clara: abaixo de 200 pg/mL
    • Zona cinzenta: entre 200-300 pg/mL (precisa investigar mais)

Limitação importante: cerca de metade das pessoas com deficiência real pode ter valores "normais" neste exame, por isso outros testes são importantes

2. Exames mais precisos (quando necessário)

  • Ácido metilmalônico: se estiver alto, confirma deficiência de B12 
  • Homocisteína: também fica alta na deficiência, mas é menos específica

3. Hemograma

Mostra se há anemia megaloblástica (glóbulos vermelhos grandes e imaturos), um sinal clássico da deficiência avançada.

Como é feito o tratamento da deficiência e do excesso de vitamina B12?

Em casos de deficiência:

  • Reposição parenteral (primeira escolha para deficiência grave):
    • Cianocobalamina ou hidroxocobalamina IM
      • Fase de ataque: 1000 μg diário por 7 dias; depois semanal por 4 semanas
      • Fase de manutenção: 1000 μg mensal (anemia perniciosa) ou conforme etiologia
  • Reposição oral (para deficiência leve a moderada):
    • Doses altas (1000-2000 μg/dia) superam defeito de absorção
    • Eficácia similar à via parenteral em pacientes aderentes

Em casos de excesso:

O tratamento do excesso consiste na suspensão da suplementação e, se necessário, suporte clínico sintomático.

Vale ressaltar que níveis persistentemente elevados de vitamina B12 plasmática, sem suplementação, podem estar associados a condições subjacentes, como doenças hepáticas, neoplasias ou discrasias sanguíneas, e devem ser investigados.

Veja também sobre "As frutas que você mais come", "Deficiência de vitamina D" e "Biotina para cabelos e unhas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Israelita Albert Einstein e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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