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Zonulina intestinal: o que é e para que serve?

Há 2 semanas
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Zonulina intestinal: o que é e para que serve?

A zonulina é uma proteína envolvida na regulação da permeabilidade intestinal e na integridade da barreira que separa o conteúdo do intestino da circulação sanguínea. Alterações nessa via têm sido estudadas em doenças como a doença celíaca e outras condições inflamatórias e imunomediadas.

A dosagem de zonulina possui limitações e não é recomendada como exame diagnóstico de rotina. Quando alterada, o tratamento consiste em controlar a doença de base e adotar medidas que favoreçam a saúde intestinal, já que não existem terapias aprovadas para reduzir especificamente a zonulina.

O que é zonulina intestinal?

A zonulina intestinal é uma proteína participa da regulação da permeabilidade da barreira intestinal e pode ser liberada por células do epitélio do intestino delgado. Sua principal função é controlar a abertura e o fechamento das junções de oclusão (tight junctions), estruturas que mantêm as células da mucosa intestinal unidas.

Essas junções atuam como uma barreira seletiva, permitindo a absorção de nutrientes, água e eletrólitos, ao mesmo tempo em que limitam a passagem de microrganismos, toxinas e outras substâncias potencialmente nocivas para a circulação sanguínea.

Leia sobre "Síndrome da permeabilidade intestinal", "Disbiose intestinal" e "Probióticos e Prebióticos".

Como age a zonulina intestinal?

Em condições normais, a zonulina participa da regulação fisiológica da permeabilidade intestinal. Quando sua liberação aumenta de forma persistente, ocorre maior abertura das junções de oclusão, favorecendo o aumento da permeabilidade intestinal. Como consequência, fragmentos de proteínas parcialmente digeridas, componentes bacterianos e outras moléculas presentes no lúmen intestinal podem atravessar a mucosa e estimular respostas inflamatórias e imunológicas.

A participação da zonulina está bem estabelecida na doença celíaca. Em indivíduos geneticamente predispostos, o contato com o glúten estimula sua liberação, facilitando a passagem de peptídeos do glúten pela mucosa intestinal e contribuindo para a resposta imunológica responsável pela inflamação e pela atrofia das vilosidades intestinais.

Alterações na via da zonulina também foram descritas em doenças como diabetes mellitus tipo 1, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável, obesidade, doenças hepáticas, alergias alimentares e algumas doenças autoimunes, incluindo artrite reumatoide e esclerose múltipla. Entretanto, fora da doença celíaca, ainda não está demonstrado que a zonulina seja a causa dessas doenças, podendo representar apenas um marcador associado ao processo inflamatório.

Infográfico - Zonulina intestinal

O que pode aumentar a zonulina?

A liberação de zonulina pode ser estimulada por diferentes fatores. Entre os mais bem estabelecidos está o contato da mucosa intestinal com a gliadina, uma das proteínas que compõem o glúten. A resposta à gliadina ocorre também em pessoas sem doença celíaca, mas pode ser mais intensa e prolongada em indivíduos com a doença. Estudos experimentais também mostram que determinadas bactérias podem estimular a liberação de zonulina pelas células intestinais, e alterações na composição da microbiota podem estar envolvidas na ativação dessa via.

Outros fatores, como uso de anti-inflamatórios não esteroides, consumo de álcool, alterações da alimentação e estresse, têm sido associados ao comprometimento da barreira e ao aumento da permeabilidade intestinal, embora não esteja igualmente estabelecido que seus efeitos ocorram especificamente por meio do aumento da liberação de zonulina.

Como é feita a avaliação da zonulina intestinal?

A zonulina pode ser dosada no sangue ou nas fezes, mas os exames disponíveis apresentam limitações importantes. Muitos testes comerciais não identificam exclusivamente a zonulina, podendo detectar proteínas estruturalmente semelhantes. Além disso, não existem valores de referência universalmente aceitos nem evidências suficientes para recomendar seu uso rotineiro.

Assim, a dosagem de zonulina não deve ser utilizada isoladamente para diagnosticar aumento da permeabilidade intestinal ou outras doenças, devendo sua interpretação ser sempre integrada à história clínica e aos demais exames.

Existe tratamento para alterações da zonulina?

Não existe tratamento específico para reduzir a zonulina. A abordagem consiste em tratar a doença responsável pela alteração da permeabilidade intestinal.

Na doença celíaca, a exclusão rigorosa do glúten da dieta costuma restaurar gradualmente a integridade da mucosa intestinal. Nas demais situações, o tratamento deve ser direcionado à condição de base. Medidas como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e moderação do consumo de álcool podem contribuir para a saúde intestinal de maneira geral, mas não constituem tratamentos específicos para reduzir a zonulina.

Embora existam medicamentos capazes de modular essa via em investigação, nenhum foi aprovado para uso rotineiro na prática clínica.

Veja também sobre "10 mitos nutricionais que precisam ser abandonados", "Psiquiatria nutricional" e "Bactérias do Bem".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Harvard Health Publishing e da Canadian Digestive Health Foundation.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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